terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Do Inferno ao Limbo: A História do Christian Death

No final do ano passado eu soube que o Christian Death iria fazer um show no Madame Satã. Era uma noticia patética em inúmeros níveis. O preço de ingresso e o local do show eram ingredientes disso, mas conhecer a bizonhamente confusa história da banda é que torna o quadro inteiro uma piada. Vou julgar que vocês não conhecem esse bando de malditos e explicar a parada. Caso eu esteja errado, leia ai vê se eu escrevi alguma merda. Mas não me conte, eu não gosto de criticas.

Formado em 1979, o Christian Death é tido como uma resposta americana ao estilo gótico surgido na Inglaterra, encabeçado por bandas como o “Siouxsie and the Banshees” e o “Bauhaus”. Você sabe, gente de preto, maquiagem pesada e música soturna.

Gente feliz

O líder e vocalista da banda era um certo Rozz Williams. Esse sujeito é o ponto central de toda a história. Fugiu de casa e ainda era um pirralho quando montou a banda e era o responsável pelo visual, estética musical e da temática anti-religiosa do grupo. O nome da banda é de sua autoria, supostamente uma piada com “Christian Dior”. Rozz era o protótipo do que hoje é considerado um gótico. Por exemplo, seu nome real era Roger Alan Painter. Ele tirou seu nome artístico de uma tumba de seu cemitério favorito.

É, ele é culpado por isso.

Em 81 Rozz se juntou ao guitarrista Rikk Agnew, que já havia feito parte do “The Adolescents” e lança o primeiro álbum da banda, “Only Theatre of Pain”

É um álbum do caralho e trazia o maior “hit” da carreira da banda, "Romeo's Distress".

A música seria exigida aos berros por fãs da banda em todos os shows do resto vida, para o descontentamento de Rozz... é, era a Ana Julia deles.

Depois disso eles lançam o EP “Death Wish” e a banda se desfaz devido a “conflitos pessoais”, o que significa toneladas de drogas, gente pirada e nenhum profissionalismo. Ai Rozz se enturma com uma galera de uma banda chamada Pompeii 99 e inicia uma parceria com outro personagem central dessa novela.

Esse cara

Valor Kand era o líder do Pompeii e convidou Rozz pra se juntar a banda, da qual também fazia parte Gitane Demone, esposa de Valor. A historia dá seu primeiro passo pra uma confusão eterna quando eles resolvem trocar o nome do grupo para “Christian Death”. Rozz diz que foi idéia de Valor. Valor diz que foi coisa de Rozz. Quem é que sabe? O lance é que foi uma malandragem, já que o nome já tinha um certo reconhecimento, mas ninguém foi capaz de adivinhar as conseqüências retardadas disso.

Em 85 eles lançam o álbum “Catastrophe Ballet”, com todas as músicas compostas pela dupla Valor/Williams. É um álbum sensacional, espetacularmente bem produzido por Valor. A voz de Rozz começa a soar assustadoramente igual à de David Bowie. Lançado por um pequeno selo francês, não obtêm a atenção merecida.

Em 86 eles lançam “Ashes” que consegue ser ainda melhor que seu sucessor. As vésperas de uma turnê européia, Rozz tem um chilique, diz que não agüenta mais viajar e que tá de namoradinha nova e não quer ficar longe dela. Ele sai da banda e Valor fica putissimo.

“Bobão...”

Esse é o ponto chave da história. Valor e Rozz entrem em um acordo: a banda usaria o nome Christian Death até o fim da turnê e depois mudaria para “Sin and Sacrifice”. Obviamente, eles nunca fizeram isso, para fúria de Rozz, que não tomou nenhuma atitude legal contra o ex-amigo.

Valor alega que pôs muito esforço para fazer o nome da banda e não podia por tudo a perder por causa de um chilique. Rozz alega que Valor não passa de um pilantra. Vamos dizer que ambos tinham certa razão.

Em 86 eles lançam o álbum “Atrocities”, que é muito bom. A ausência de Rozz não parecia ter feito muita diferença... até então.

Em 87 lançam o álbum “The Scriptures” e o single “Church of No Return”. Essa música pode dar uma idéia dos rumos estranhos que a banda começava a tomar.



Este vídeo é revelador em muitos sentidos. Mostra que Gitane já se utilizava de indumentárias que Madonna viria a popularizar só dali alguns anos. Também é possível observar uma certa influência de Billy Idol na música de Valor, assim como em seu approach sensual. Se aproveitando do fetiche que todos temos por padres zumbis e freiras sacanas, o vídeo é exibido em alguns programas de TV e se torna o maior êxito comercial do grupo.


Em 88, o Christian Death assume de vez a pose clichê de “banda do capeta” e lança “Sex and Drugs and Jesus Christ”, que possui uma simpática capa do homem de Nazaré injetando heroína no braço.


É lógico que os grupos religiosos adoraram e Valor consegue a atenção que queria. É o álbum mais vendido da história do grupo.

No ano seguinte sai o single “Zero Sex” e Gitane deixa Valor e a banda, mas não sem antes gravar essa pérola.



É justo dizer que ela é de longe a melhor coisa da produção. O espetáculo de afetação de Valor e um roteiro que parece girar em torno de um sujeito que reprova peep-shows, é atacado por uma prostituta enquanto toca guitarra e pede informações pra um guarda levantam a questão: por que essa gata ficou tanto tempo com esse cara?


POR QUÊ?

Ainda em 1989, Valor lança seu projeto mais ambicioso, o álbum duplo “All the Love, All the Hate”. Sim, é tão óbvio quanto parece: um disco tem canções sobre amor e outro sobre ódio. É de longe a pior merda que ele já produziu e é um fracasso tão retumbante que nosso herói só voltaria a grava dali cinco anos. O vídeo de “We fall like Love” produz níveis inimagináveis de vergonha alheia.



Em 1990, Rozz se reúne com Rikk Agnew para um concerto. Havia planos para uma volta completa da formação do “Only Theater of Pain”, incluindo um novo álbum e turnê, mas uma treta no camarim após o show acabou com a história. O lance é que Agnew se recusou a voltar pro bis e banda terminou o show sem o guitarrista. Rozz ficou furioso e disse que nunca mais trabalharia com um cara tão irresponsável.

Profissionalismo OK?

O concerto foi gravado e lançado em vídeo e é brilhante. Rozz aparece pegando várias fãs, cheirando cocaína e dançando com um esquisitão. Uma dançarina amarrada em correntes fica no fundo do palco e na execução do bis uma guitarra sobrenatural soa de lugar nenhum.



Em 1992 a história dá mais um nó. Rozz Williams consegue um contrato com o selo independente Cleopatra. A história oficial é de que ele “reinventou” o Christian Death, mas o que é mais provável é que ele queria lançar álbuns solos e a gravadora o forçou a utilizar o nome da banda, vocês sabem bem por que.


Pra jogar mais picaretagem na história, Rozz lança o álbum “The Iron Mask”, que não passa de regravações de músicas antigas da banda. Rozz detestou o resultado e afirmou que gostaria de nunca o ter gravado.


Quem toca guitarra no disco é Eva O, então esposa do vocalista. Ela já havia participado como backing vocal do “Only Theatre of Pain” e era ela a namoradinha que Rozz não quis largar na época da turnê de “Ashes”.


Esse tipo de garota


Em 1993 Rozz lança “Path of Sorrows”. O problema é que na mesma época Valor registra o nome da banda, o que obriga o álbum a sair com a inscrição “Christian Death featuring Rozz Williams” na capa. Tirando essa bizarrice de duplicidade, o álbum é espetacular e na minha visão é a obra-prima do artista.



Em 1994 sai “Rage of Angels”, não tão bom quanto o anterior, mas ainda muito foda. No mesmo ano o Christian Death de Valor retorna com o “Sex Death and God” e num dos momentos mais retardados da história da música, existem duas bandas com o mesmo nome.


Mas não foi a única vez


“Rage of Angels” foi o ultimo disco de Rozz associado ao nome Christian Death. E Valor levaria a banda a partir de “Sex Death and God” para os rumos do Death Metal. Nos álbuns seguintes o som ficou cada vez mais pesado, sua voz mais modificada em estúdio para soar como um monstro e suas letras cada vez mais ridículas. Ele também conseguiu mais uma vez pegar uma mulher bizarramente bonita demais pra ele, sua baixista Maitri.


O que elas vêem nele?


Não vou me alongar sobre os álbuns seguintes de Valor, por que honestamente, eu estou cagando pra eles. O fato sinistro seguinte é que em 1998, Rozz Williams cansou de brincadeira e se suicidou. Isto põe fim na história certo? Rozz morre, Valor fica como nome e nada mais dessa bosta ridícula de duas bandas com o mesmo nome, certo?


Não.


Quando ficar mais cretino parecia ser impossível, Eva O e Rikk Agnew se juntam para formar o Christian Death 1334. Supostamente uma banda tributo em memória de Rozz Willliams (1334 era seu número favorito, uma referência ao ano do inicio da peste negra.) a banda é uma picaretagem tão grande que até Valor deu risada.


Novamente. Esse cara.


A coisa acaba com o Christian de Valor fazendo um show por 250 reais no porão do Madame Satã (eu prefiro o nome “Morcegóvia”, é muito mais engraçado) e me pergunto quem pagou por isso. Outro dia eu vi um vídeo especialmente ruim de uma apresentação do “1334”. Eva O estava simplesmente matando “Romeu’s Distress”. Nos comentários as pessoas diziam que aquilo devia ser pior que o Christian do Valor. Até que um sujeito espanhol matou a parada: “Eu vi as duas bandas ao vivo e acredite, a banda do Valor consegue ser MUITO pior do que essa. É triste ver isso acontecer com esses caras”.

Pode apostar. Triste.

2 comentários:

  1. escreveu bastante merda , nao tudo , obvio. tentar ser engraçadinho com o tchan e muito mais patetico do que qualquer fase do christian death que voce possa nao gostar.quem ler sua opiniãozinha pessoal e segui-la (se é que possa existir alguem), ficara privado de escutar o otimo album "american inquisition" de 2008. voce nao conseguiu ser engraçado nem "o cara de personalidade que não esta nem ai para os outros".

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  2. Eu vi que alguns homens trajavam roupas rasgadas, surradas, como mendigos e ébrios naquele lugar.

    Vi também que muitas mulheres estavam nuas, outras estavam com seus seios expostos, outras ainda estavam com roupas sujas e rasgadas. Era horrível aquele cenário, e o mau cheiro era insuportável.

    Alguns homens olhavam pra mim, bem como algumas mulheres e me pediam socorro clamando em alta voz, em grande agonia. Neste momento aquele homem com vestes brancas que estava ao meu lado me disse:

    “Olha jovem; não estenda a sua mão para ajudá-los; pois estes que estão acorrentados e presos aqui são prisioneiros neste abismo, você não poderá libertá-los; eles nunca poderão sair daqui”.

    E seguiu dizendo:

    “... Todos estes homens e mulheres viveram suas vidas na terra ao seu “bel prazer” e não se importaram com a salvação de suas almas, por esta razão eles estão presos nestas correntes que você está vendo. Eles me desprezaram durante suas vidas passageiras; não alcançaram à salvação, antes, todos eles me rejeitaram blasfemando e negando o meu nome...”.

    Enquanto eu ouvia aquelas palavras, eu olhava para aquelas pessoas e sentia uma profunda agonia ao ver quão terrível é o sofrimento daqueles que vão para o inferno por desprezarem ao Senhor Jesus Cristo. Eu vi que naquele lugar havia uma galeria para cada grupo de pessoas.

    De um lado estavam os homens que não honraram o nome do Senhor Jesus, ali estavam “PASTORES, MISSIONÁRIOS, EVANGELISTAS, PRESBÍTEROS, PADRES, BISPOS E DIÁCONOS”.

    Também havia um lugar reservado para os “ASSASSINOS, ESTUPRADORES, ATORES E ARTISTAS PORNOGRÁFICOS, ARTISTAS DE NOVELAS, SEQÜESTRADORES, TERRORISTAS, SUICÍDAS, ASSALTANTES E TRAFICANTES”.

    Outra ala era reservada para os “BRUXOS, SATANISTAS, FEITICEIROS, MAGOS, ALQUIMISTAS, ENCANTADORES, ESOTÉRICOS, ASTRÓLOGOS, NECRÓFILOS, ADIVINHOS, MÁGICOS, MÉDIUNS, ESPÍRITAS, e outros que mantinham relações com as FORÇAS OCULTAS...”.

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