quarta-feira, 10 de março de 2010

Momentos Marcantes de ‘Glamour e Boca do Lixo’ (Que Não Estão No Livro)

Após ter feito parte da elaboração de um livro sobre um tema tão relevante, profundo e honesto quanto “Glamour e Boca do Lixo” eu esperava estar agora dando grandes entrevistas, assinando contratos com editoras e enchendo meu rabo de dinheiro.

A vida de um jornalista na cabeça de Ricardo Casarin

Bem, como nada disso aconteceu, vou deixar de lado qualquer senso de ridículo, me embebedar no meu narcisismo e contar por conta própria alguns momentos marcantes da feitura desta grande obra jornalística.

Por que porra eu fiz isso?

Eu e mais dois amigos estávamos fazendo o reconhecimento de algumas boates e entramos no Cine Globo, que fica na Avenida Ipiranga. Lá você paga oito reais para entrar e tem direito a beber um copo de refrigerante ou um de vinho. Mas não qualquer refrigerante, e sim um Sinbad de abacaxi quente. E se você achou isso horrível, acredite essa era a melhor opção. Meus dois amigos tomaram o refrigerante e eu, claro, bebi o vinho. Dizer que aquilo parecia pus filtrado por um saco de lixo derretido não faria jus ao gosto que eu senti. Mas tudo bem, essa foi a parte mais tranqüila. O que aquilo fez com minha cabeça e estomago é que foi o problema. Então lá estou eu, em um cinema escuro, contemplando uma centena de cadeiras quebradas e tentando decifrar por que eu achei que beber aquele vinho seria uma boa idéia, enquanto meus amigos entrevistavam uma garota de programa, colhiam dados e basicamente faziam todo o trabalho sem minha ajuda. Então... valeu caras.

Sai daí! Para com essas idéia errada!

No último andar do Edifício Andradas 69, um grande puteiro vertical, há um banco de madeira. Após subir 11 andares de escada eu achei que seria razoável sentar ali, mas uma garota de programa chamou minha atenção: “Senta ai não fio, ai é só pras meninas. Não vai querer que alguém pense que você ta fazendo programa, né?”. Eu ri, mas ela disse que não era piada. “O que tem de homem que gosta disso aqui, ainda mais você novinho...” e em seguida contou-me alguns causos sobre momentos de fraqueza de alguns clientes, propostas de orgias bissexuais e sujeitos que poderiam aceitar esse tipo de trabalho free-lance. Eu nunca mais cheguei perto daquele banco de novo.

O pior detetive da história

Eu estava no Parque da Luz, observando a movimentação das prostitutas, quando vi um senhor abordar uma mulher. Eu não tinha certeza se ela estava fazendo programa, por isso resolvi seguir o casal para ver se eles iriam até algum motel. Foi então que eu me revelei ser um grande incompetente nessa tarefa. Eu não soube administrar direito meu ritmo de caminhada, tive que parar varias vezes, algumas delas fazendo algo ridículo como encostar num poste ou simplesmente olhar para o alto e coçar a cabeça. Não demorou muito para eles tomarem conhecimento de mim. Se eram apenas um casal ou uma senhora atendendo seu cliente, eu nunca vou saber, pois eu resolvi abortar a missão após os dois entraram num mercadinho enquanto olhavam desconfiados para mim. Fracasso total.

Puta merda! Um apocalipse zumbi!

Andando pelas ruas do Centro, no meio da noite, eu e meus amigos percebemos uma estranha aglomeração de pessoas. Nós começamos a especular sobre o que seria aquilo, um forró, uma quermesse ou a saída de uma igreja. Então nós decidimos ver por nós mesmos. Por cerca de 100 metros nós caminhamos em meio a uma concentração de algo em torno de 250 viciados em crack. Ver aqueles verdadeiros farrapos humanos lambendo o chão em busca de migalhas de crack e se chafurdando no lixo a procura qualquer coisa para trocar por mais pedra foi uma experiência sem explicação. Eu olhei nos olhos de um sujeito e tive certeza que ele não era capaz de me ver. Ninguém tomou conhecimento da gente. Crack não é uma droga, é uma arma de destruição em massa.

Oh, mas que surpresa agradável!

Mas vamos animar o papo um pouco. O centro não é só selvageria, insanidade e políticas públicas obscenas. Também há vida lá. E às vezes você pode se surpreender e perceber que em frente ao Andradas 69 há uma feira aos domingos. E uma feira foda, com caldo de cana, flores e bugigangas. Eu mesmo me tornei cliente da barraquinha de pastéis. Eles são deliciosos, especialmente se são 6 da matina e você está voltando de uma balada e a larica está acabando com sua vida. Veja só que tremendo programa: comer um pastel, tomar um caldo de cana e fazer um pouco de amor. Tudo isso por 30 reais.

O que? Não leu ainda? Ficou curioso pra saber dessa putaria toda né?

http://glamourebocadolixo.blogspot.com/

5 comentários:

  1. Para quem nunca visitou o local, uma oportunidade para conhecer.
    Para quem já visitou o local, uma oportunidade para relembrar.

    Reportagens feitas sobre o Predião: Rua dos Andradas, 69

    1- http://www.youtube.com/watch?v=SL3elvINY7A

    2- http://www.youtube.com/watch?v=TYRs9w0aspQ

    3- http://www.youtube.com/watch?v=cZuM74TazUw

    Um abraço a todos

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  2. Trechos da reportagem (exibida em 16/09/2011) feita pela TV Record, sobre "locais de entretenimento"

    Quem já foi um dia ao local "aliviar o stress", é uma chance para trazer velhas lembranças.
    E quem ainda não foi lá, é uma chance para conhecer como funciona.

    Mais uma reportagem feita sobre o Predião: Rua dos Andradas, 69

    http://www.youtube.com/watch?v=NSqDeOfZ_6U

    Reportagem feita sobre o Edifício Itatiaia: Rua Barão de Limeira, 134

    http://www.youtube.com/watch?v=XF6iDQ6DFjg

    Abraço a todos

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  3. Trabalhei lá e gostei..

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    1. chama no whatsapp Mayara p gente conversar por favor 11 943782957 tem amigas de lá bjs!

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